Tudo começou no ano de 1984, quando Beto Andretta e Beto Lima, fundadores da companhia, se conheceram na cidade de Belo Horizonte, realizando o projeto “Criança Faz Arte” coordenado pela cantora mineira Doroty Marques. Durante os anos de 1984 e 1985, realizaram esse mesmo projeto nas cidades de Penápolis-SP e Presidente Prudente-SP.
Esse projeto rendeu um disco (LP) “Criança Faz Arte”, lançado no ano de 1985, quando o 1º. espetáculo "O VAQUEIRO E O BICHO FROXO" teve sua 1ª. versão. Realizaram também o show “Criança Faz Arte”, junto com Doroty Marques, que apresentaram em várias cidades do Vale do Jequitinhonha (MG), Belo Horizonte e interior de São Paulo.
A partir de 1986, Beto Andretta e Beto Lima, já desligados de Doroty Marques, passam a assinar Beto e Beto e Cia, apresentando o espetáculo “O Vaqueiro e o Bicho Froxo” em diversas cidades do interior de São Paulo.
Em 1987, realizam sua 1ª. temporada de O VAQUEIRO E O BICHO FROXO em São Paulo, no teatro Eugenio Kusnet, sendo indicados a melhor espetáculo e texto.
Em 1990, o grupo realiza sua 1ª. viagem internacional para Índia (Nova Deli), convidados para um festival internacional. Lá, conhecem outros grupos, e vêem diferentes técnicas de manipulação e trabalhos.
No ano de 1989, ministrando uma oficina de teatro de bonecos nas oficinas Oswald Andrade, em São Paulo/SP, os Betos conhecem Domingos Montagner que rapidamente se integra ao grupo, fazendo parte da Pia Fraus durante 10 anos.
Na década de 90 a Pia Fraus teve uma produção intensa: foram criados diversos espetáculos, como OLHO DA RUA, BABEL BUM (em conjunto com XPTO) FLOR DE OBSESSSÃO, GIGANTES DE AR, SINFONIA CIRCENSE, (em conjunto com a Orquestra Experimental de Repertório e Acrobático Fratelli), ÉONOÉ, O MALEFÍCIO DA MARIPOSA e NAVEGADORES além de ter realizado várias viagens internacionais, ganhando prêmios nacionais e internacionais (como o Angel Awards de melhor espetáculo no Festival de Edimburgo, Coca Cola de Teatro Jovem, APCA, SHELL e APETESP).
Também foi nessa década que o grupo desenvolveu e firmou sua linguagem no panorama teatral.
Ainda nos anos 90 surgiu uma das características do grupo: trabalhar em conjunto com outros artistas. Para cada montagem, era criada uma equipe especial. Assim trabalharam com os diretores Naum Alves de Souza, Hugo Possolo, Márcia Abujanra, Ione de Medeiros, Carla Candiotto, Francisco Medeiros e Oswaldo Gabrieli; com os coreógrafos Ricardo Iazzetta, Key Sawao, Ana Mondini, Adriana Grechi, Telma Bonavita; com os músicos Jether Garothi, Teo Ponciano Marco Boaventura, Gustavo Bernardo, Klecios Albuquerque, Manoel Pacífico e Doroty Marques; com os iluminadores Wagner Freire, Décio Filho, Guilherme Bonfante e David de Brito; e é claro,dezenas de atores, que continuam trabalhando com a companhia, mantendo em atividade seu repertório.
Entre 2000 e 2009 o grupo criou FARSA QUIXOTESCA, FRANKENSTEIN, BICHOS DO BRASIL, A LENDA DO GUARANÁ, OLHOS VERMELHOS, HÉRCULES (em parceria com os Parlapatões), 100 SHAKESPEARE, AS AVENTURAS DE BAMBOLINA, BICHOS DO MUNDO e PRIMEIRAS ROSAS (além do Circo Roda Brasil, com os espetáculos STAPAFURDYO e OCEANO – parceria com o grupo Parlapatões). Também foi realizado o projeto PANO DE RODA (parceria entre a Pia Fraus, Parlapatões e La Mínima, de 2002), um projeto itinerante que teve o patrocínio da Petrobrás.
Em Bichos do Brasil (2001), com a saída de Domingos Montangner, o grupo retoma a dupla de criação do começo do grupo, Beto Andretta e Beto Lima, conseguindo com esse espetáculo grande repercussão e sucesso de público. Bichos do Brasil já realizou mais de 10 temporadas na cidade de São Paulo, além de ter se apresentado em quase todos os estados brasileiros e 7 países. Hoje, esse espetáculo possui 2 elencos no Brasil que se apresentam simultaneamente, quando necessário. Em 2008 realizou turnês na Espanha e Holanda, e teve a criação de seu primeiro elenco internacional, residente na Holanda.
No início de 2005, Beto Lima, infelizmente falece, depois de 21 anos como criador dos conceitos visuais que permeavam as obras do grupo, além de ator. Como uma homenagem, em 2006, a cia estrea 100 SHAKESPEARE. O espetáculo participou de diversos festivais e editais, tendo, inclusive, sido contemplado com a Caravana FUNARTE/PETROBRÁS de Circulação Nacional, realizando apresentações em quatro capitais do nordeste brasileiro. Também participou de festivais internacionais, na Espanha e República Tcheca.
Em 2008, após ser contemplado com o Edital Funarte Myriam Muniz, o grupo cria o espetáculo “AS AVENTURAS DE BAMBOLINA”. Baseado no livro homônimo de Michele Iacocca, em sua primeira temporada na cidade de São Paulo o espetáculo recebeu 9 pré - indicações ao Prêmio Coca Cola Femsa de Teatro Infantil (no momento, aguarda a premiação, na qual está como finalista em 4 categorias, entre elas melhor espetáculo). Também recebeu o Prêmio APCA de melhor ator (Sidnei Caria).
Um capítulo a parte nessa história é o CIRCO RODA BRASIL. Essa parceria entre a Pia Fraus e os Parlapatões criou um circo de proporções consideráveis no Brasil, com uma linguagem que se aproxima do novo circo (cujo representante mais conhecido no mundo é o Cirque de Soleil), contribuindo para retomar no Brasil a tradição do circo, porém, com uma roupagem nova, mais contemporânea. Para essa empreitada os grupos contam com o apoio de grandes empresas como CCR – Cultura nas Estradas, Bandeirantes Energia e Coca Cola, o que torna possível a itinerância de um projeto estruturalmente grandioso como esse pelo país (só para circulação dos equipamentos são necessárias 05 carretas). Em seu segundo espetáculo, o CIRCO RODA BRASIL demonstra que é possível inovar, sem perder de vista atividades tradicionais.
Por fim, no momento, o grupo acaba de estrear três novos espetáculos: BICHOS DO MUNDO – um show musical, com a presença de uma banda em cena, com cantores cantando músicas criadas por Beto Andretta e manipuladores animando bonecos, que interagem com os músicos; PRIMEIRAS ROSAS – espetáculo adulto baseado em 4 contos do livro PRIMEIRAS ESTÓRIAS, de Guimarães Rosa, com concepção de Beto Andretta. É um projeto diferente na história do grupo, pois conta com 4 diretores diferentes, vindos de 4 grupos diferentes ( PeQuod, do Rio de Janeiro, Cia Lumbra, de Porto Alegre, Teatro Munganga, da Holanda, e Cia da Tribo, de São Paulo) onde cada um é responsável por um quadro do espetáculo. E, por fim, em setembro de 2009 o grupo estreou FILHOTES DA AMAZÔNIA, um espetáculo que trata das relações de amor e carinho também existentes entre os animais e seus filhotes.